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A inteligência artificial e os nossos dados

A chegada da DeepSeek abalou a hegemonia americana nas IAs e reabriu uma pergunta antiga: onde estão os nossos dados — e com quem?

A inteligência artificial e os nossos dados

Desde que chegaram ao mercado, as inteligências artificiais generativas dominaram as conversas sobre tecnologia. Áreas como marketing e publicidade chegaram a tratá-las como mais uma onda passageira — como NFTs, criptomoedas, Apple Vision e o malsucedido Metaverso. Não foi o caso: as IAs vieram para ficar.

A inteligência artificial e os nossos dados

Diversos setores adotaram a tecnologia como ferramenta para gerar insights, especialmente as áreas criativas, em que a IA aprofunda o pensamento estratégico e nos ajuda a olhar uma ideia de outros ângulos.

De onde vêm os dados?

A OpenAI tomou a frente ao lançar o ChatGPT, e rapidamente se tornou uma gigante no disputado mercado de IA. Desde então, muita gente do setor de tecnologia ficou com um pé atrás em relação às fontes de dados usadas para treinar esses modelos.

Quando perguntamos ao ChatGPT sobre a origem desses dados, a resposta é sempre genérica: “fontes públicas da internet”. É provável que boa parte venha de consentimentos que nós mesmos cedemos ao aceitar políticas de privacidade de produtos digitais. Sabe aqueles textos jurídicos gigantes que ninguém lê? Eles mesmos.

Uma nova corrida

A verdade é que nossos dados pessoais, a partir do nosso consentimento, sempre estiveram concentrados em empresas norte-americanas — Google, Wikipédia, Meta, Apple, Microsoft, entre outras, donas das maiores fontes de dados da internet.

O início de 2025 trouxe uma novidade: a DeepSeek, startup chinesa, lançou uma IA que derrubou ações de gigantes de tecnologia nos Estados Unidos. O motivo? Entregar resultados comparáveis ou melhores com um investimento financeiro e de hardware muito menor do que o das antecessoras.

A ascensão de um produto não americano desencadeou uma nova “corrida espacial”, agora pela liderança em IA. Entre uma notícia e outra, o governo dos EUA levantou suspeitas de que a DeepSeek não é segura, não respeita a privacidade e compartilha dados dos usuários com o governo chinês. Teorias da conspiração surgiram dos dois lados — e, no meio delas, estamos nós, perguntando de novo onde nossas informações estão mais protegidas.

Concorrência é saudável

Teorias à parte, a chegada da DeepSeek é bem-vinda porque gera concorrência. E concorrência acelera o mercado e torna os produtos mais democráticos, competitivos e acessíveis.

A questão não é escolher entre ter seus dados nos EUA ou na China, mas ter produtos digitais descentralizados entre países. A internet nasceu para ser global, não local. Diluir a hegemonia americana sobre a indústria de tecnologia é necessário e saudável — inclusive para nós, brasileiros, que podemos começar a acreditar que um produto tecnológico genuinamente brasileiro também pode ganhar escala global.

Ter diferentes países liderando áreas diferentes da tecnologia talvez seja o caminho para manter a internet aberta, como ela foi criada para ser. Produtos como a DeepSeek funcionam como um balde de água fria em um setor inflamado.

E agora?

Talvez seja hora de revermos os consentimentos que damos o tempo todo ao aceitar as políticas de uso de produtos digitais. Novos capítulos virão. E os nossos dados estão realmente seguros?

Com quem?

Imagens: Pexels

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